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São Paulo / Saúde

Comportamento: Você tem raiva do que?

Pesquisa recente da FGV mostra que a preocupação, estresse, tristeza e raiva cresceram mais no Brasil do que no mundo 

 Por Renata Rode 

Comparando o Brasil, com a média de 40 outros países, foi observada uma perda de esperança, a partir do estudo de cinco indicadores de emoções cotidianas como a raiva, preocupação, estresse, tristeza e divertimento no estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas. A nossa sensação de raiva, subiu de 19% em 2019 para 24% em 2020 dos brasileiros. No mundo este avanço foi de 0,8% pontos percentuais. Ou seja, a raiva aumentou 4,2 pontos percentuais a mais no Brasil durante a pandemia que no resto do mundo.  

Como resultado desses indicadores podemos relacionar este aumento da raiva, aos índices da violência doméstica e a busca por ajuda médica e terapias relacionadas ao controle da raiva, ansiedade e estresse. O estudo traz uma abordagem interessante quando demostra que a felicidade está associada a questão da distribuição de renda. No gráfico é mostrado que somente 20% da população, considerados mais ricos tinham conseguido subir no índice de felicidade no período de 2019 a 2020.  

Podemos interpretar que a maioria da população estabelece como felicidade a segurança financeira e estabilidade no emprego. A luta pela sobrevivência diária, principalmente nas grandes cidades e garantia das condições mínimas para família participar de forma digna na sociedade é um forte fator de desencadeamento do estresse. 

Este estudo da FGV apresenta muito da realidade atual, de pandemia e crise econômica. A busca por terapias integrativas, e médicas convencionais é fundamental para enfrentar momentos de estresse. Tami Lòpez, especialista  em Programação Neolinguística da Verta Desenvolvimento Humano explica que a maneira como reagimos aos eventos está diretamente ligada ao estado em que estamos: “Como a maioria de nós não aprendeu a lidar com as emoções, existe um sistema, dentro de cada um, quase que instintivo de proteção e é daí que vem a necessidade de aliviar a raiva e, para muitos, a única opção é quebrar coisas. Na Programação Neurolinguística, chamamos isso de mudança de estado”. 

Tami também reafirma que se nós reagimos aos eventos externos a partir de nossos estados internos. Portanto, ao mudar o estado de negativo para positivo, com uma ação física não esperada, nós mudamos nossa resposta ao evento. Um estado negativo prolongado é aquele que traz respostas indesejadas, como por exemplo: a necessidade de quebrar coisas, de agredir pessoas, de se afastar de grupos e até reações físicas como problemas gástricos. 

“É preciso esclarecer que existem várias possibilidades de lidar com a raiva. Qualquer ação que mude o estado trará uma mudança. Cada pessoa tem que escolher o que pode ser mais efetivo, considerando também os efeitos desta escolha. Por exemplo: dançar, praticar esportes, cantar, entre outras, são opções que aliviam a raiva e deixam a pessoa muito melhor”, fala.  

/Vale a pena lembrar que a raiva é apenas o sinal de alerta para algo que está nos desrespeitando: “Respirar profundamente, de três a cinco vezes, traz uma mudança de estado imediata e, a partir daí, a própria pessoa pode se perguntar: “o que especificamente aconteceu que me trouxe esta emoção?” De posse dessa informação, existe a possibilidade de avaliar o que pode ser feito para desarmar o evento que provocou a raiva”, ensina. 

 Estes sentimentos negativos como ansiedade e raiva vêm nos momentos quando esperamos ter os resultados de forma rápida e ao nosso alcance, mas quando ficamos descontrolados somos capazes de quebrar objetos e descontar em pessoas próximas. A Youtuber Rangel Carlos, 27 anos, foi diagnosticada bipolar nível dois alguns anos atrás: “Parei a medicação e terapia por conta própria, o que desencadeou crises momentâneas de fúria e depressão profunda. Uma vez quebrei o celular com o dente, mordendo ele de raiva”. Mas acrescenta que desse que teve seu filho não teve mais crises de fúria, apenas um pouco de tristeza quando estou de TPM. Controlo a raiva respirando fundo e praticando tiro esportivo. 

A estudante de jornalismo, Vitória Nascimento, 21 anos já viveu estados mentais negativos e apresenta maturidade para lidar com os momentos difíceis: “Ao passar do tempo fui moldando minhas atitudes com muita terapia e também fazendo atividades que mudassem o meu foco e me fizessem me concentrar no aqui e no agora, como Yoga e meditação”. Acrescenta que a terapia também ajudou com que os acessos de raiva, fazendo com que fossem cada vez mais raros. “Hoje mesmo, nem me lembro da última vez com que senti que perderia o controle, porque eu tenho aprendido a me controlar”, finaliza.